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"Também há baleias na costa da Terceira"

Quarta-Feira, dia 27 de Março de 2013

O mar da Terceira tem grande potencial para a observação turística de cetáceos, considera Luís Barcelos, do departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, autor de uma tese de mestrado que revela que, ao largo da ilha, existe mais de metade das espécies de cetáceos que ocorrem nos Açores.
Segundo a tese "Variação espacial e temporal na ocorrência de cetáceos do sul da ilha Terceira", é possível observar, no litoral sul da ilha, 55,6 % das espécies de cetáceos que estão dadas como ocorrendo nos Açores. Destacam-se cinco espécies de golfinho (golfinho-comum, roaz, golfinho-de-risso, golfinho-pintado-do-atlântico e golfinho riscado), assim como o cachalote. De acordo com o documento, a ocorrência destas espécies sofre alguma variação ao longo dos meses, sendo as maiores ocorrências em junho e julho.
Segundo Luís Barcelos, este estudo pretendeu desfazer o mito de que a Terceira não tem potencial para a observação de cetáceos. "A observação de cetáceos também pode ser feita na Terceira. Com esta tese temos uma base que podemos mostrar aos turistas e dizer-lhes que aqui também há golfinhos e baleias... que não é só no Faial ou no Pico", sustentou.
O mestre em Gestão e Conservação da Natureza considera, ainda assim, que o potencial poderia ser maior se se recorresse a outros pontos de vigia, nomeadamente na zona oeste da ilha. A maioria dos avistamentos na Terceira ocorre na zona sudoeste, em águas costeiras, até 200 metros de profundidade, e entre os 700 e 1000 metros de profundidade. Trata-se, ainda assim, de observações junto à costa.
"A análise e discussão dos resultados revelam que as espécies têm preferências por águas com profundidades diferentes, mas no entanto é possível observar as seis espécies mais frequentes em águas costeiras", pode ler-se no documento.
O estudo de Luís Barcelos concluiu ainda que com o aumento da temperatura superficial do mar aumenta os avistamentos em águas mais profundas.
Verificou-se ainda alterações na frequência de ocorrência de algumas espécies consoante o tráfego marítimo. Ainda assim, as alterações não puderam ser comprovadas estatisticamente por falta de dados.

CIÊNCIA E TURISMO
A tese "Variação espacial e temporal na ocorrência de cetáceos do sul da ilha Terceira" serve-se de dados recolhidos entre 2007 e 2011 em saídas turísticas para a observação de cetáceos.

"Tenho trabalho, durante um verão, na área da observação turística de cetáceos e utilizei, nesta tese, dados do que fomos vendo. Não se trata de dados recolhidos segundo métodos científicos: nós vamos para onde estão os animais que os clientes querem ver e, uma vez que a maioria das saídas de barcos com turistas decorre de manhã, é na zona sul que nos concentramos, já que é onde há mais visibilidade porque o sol não reflete na água", explica.
Ainda assim, Luís Barcelos considera que a observação turística de cetáceos pode dar bons contributos à ciência. "A observação turística de cetáceos tem interesse e é importante para a ciência, uma vez que é uma forma de financiar a obtenção de dados que de outra forma não seriam fáceis de recolher", pode ler-se na sua tese.
É por isso que o próximo passo do investigador passa por transformar a tese em artigos científicos, de forma a que a informação esteja acessível a toda a comunidade especialista. Pretende-se depois desenvolver uma brochura com os dados recolhidos para que possam ser entendidos pelos turistas.

CONTINUAR OS ESTUDOS
O responsável considera ainda que interessa continuar a investigação nesta área. Para o seguimento deste estudo, frisa, é importante uniformizar a recolha de dados. Interessará ainda que todas as empresas marítimo-turísticas participam na recolha destes dados e de outros, tais como o estado do mar, condições atmosféricas e número e tipo de embarcações presentes na área. Para além disso, diz, importa considerar informações recolhidas pelos vigias,  nomeadamente no que diz respeito à velocidade de deslocamento do grupo.

"No tratamento de dados futuros seria integrada toda esta informação, e também dados de produtividade primária, Sistemas de Informação Geográfica com o propósito de determinar distâncias entre grupos da mesma espécie e de espécies diferentes; distâncias à costa; determinar possíveis rotas de deslocamento e áreas de alimentação; e avaliar qual o impacto do tráfego de embarcações na ocorrência ou comportamento das espécies", conclui Luís Barcelos.

JOÃO BARREIROS, BIÓLOGO
Ilha prejudicada há décadas

De acordo com João Pedro Barreiros, biólogo e um dos orientadores da tese "Variação espacial e temporal na ocorrência de cetáceos do sul da ilha Terceira", o mito de que a Terceira não tem condições para a observação de cetáceos foi criado ao longo das últimas décadas. O próprio Governo Regional, sublinha, ajudou a desenvolver a ideia.
"Penso que se criou esta ideia por várias razões. Por um lado, a baleação acabou primeiro na Terceira, nos anos 70, e só depois terminou no Pico, em 85. Foi nessa ilha, e no Faial, que começaram a aparecer as primeiras empresas de observação turística de cetáceos, com baleeiros que ainda estavam no ativo. Na Terceira só recentemente é que se começaram a recuperar alguns botes baleeiros, por exemplo. O próprio Governo Regional vendeu muito a ideia de que a observação de cetáceos era ali que se fazia. Mais tarde criou-se legislação e deu-se formação e as pessoas começaram a criar, com sucesso, as suas empresas", avançou.
Sobre o estudo em causa, João Pedro Barreiros considera que as suas valias são várias por mostrar que na costa sul da ilha Terceira é possível observar mais de 50% das espécies que ocorrem nos Açores.
"Na Região ocorrem um quarto de todas as espécies de cetáceos que se conhecem no mundo, o que faz com que o arquipélago esteja no top quatro dos melhores lugares para a observação destes animais", sublinha.

 

 

 

 

Fonte: Diário Insular,

http://www.diarioinsular.com/




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