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Notícias

O futuro do turismo dos Açores em análise

Terça-Feira, dia 16 de Abril de 2013

A conferência "Turismo nos Açores: Que futuro?", promovida pelo Açoriano Oriental, foi a primeira de um ciclo de seis, com o objetivo de promover a discussão sobre os caminhos a seguir para garantir o progresso da Região Autónoma dos Açores. Esta teve lugar na passada segunda-feira, dia 8 de Abril de 2013, na Universidade dos Açores. 

A abertura do evento foi feita pelo Diretor Regional do Turismo, João Bettencourt, em representação do secretário regional do Turismo e Transportes. João Bettencourt iniciou o seu discurso com o enaltecimento dos Açores enquanto destino de natureza “multi-target”, com potencialidade para atrair diversos nichos de mercado durante todo o ano, mencionando alguns produtos como o segmento MICE, golfe, turismo cientifico, trilhos pedestres, entre outros, reforçando a ideia de que o caminho para a competição é a segmentação, quer ao nível dos produtos turísticos, quer ao nível do tipo de visitante. 
 
O Diretor Regional do Turismo defendeu, assim, que a sustentabilidade do turismo na Região passa pela “intensificação da promoção externa, com vista à consolidação dos mercados emissores atuais, considerados prioritários pela importância dos fluxos turísticos que já geram para a Região, e a conquista de novos mercados, de forma a aumentar a comercialização do destino e gerar fluxos capazes de sustentarem a atividade turística açoriana”.
João Bettencourt realçou ainda a importância das campanhas e estratégias já postas em ação, de forma a atrair famílias com crianças, como a campanha “Férias em Família”, a ideia da “Azorlândia” e a sensibilização feita com as crianças do continente português quanto à divulgação de informação sobre os Açores.
 
“Açores, movimentos estratégicos - a solução está no problema” 
 
Pedro Costa Ferreira, presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, apontou como principais pontos fracos do arquipélago o clima, a hospitalidade e qualidade do serviço nos estabelecimentos hoteleiros e na restauração, e a sazonalidade. Afirma o clima como uma preocupação, principalmente por não atrair o mercado interno, não sendo, no entanto, um factor que deva ser ocultado ao turista, mas algo de que se possa tirar partido de forma criativa. Para combater a sazonalidade do turismo açoriano, menciona a necessidade de se criar eventos-âncora, fora da época alta.  
 
Como principais pontos fortes, Pedro Ferreira considera três fatores essenciais, orientadores da promoção dos Açores e que permitem uma segmentação e especialização do target que se pretende: autenticidade do destino, condições naturais notáveis e segurança.  
 
O presidente da APAVT não acredita que os Açores devam apostar numa promoção pelo preço, mas sim pela excelência, tornando-se um destino pelo qual valha a pena pagar. Neste sentido, alerta para o problema que as “Low-Cost” podem representar para a região, pois este tipo de companhia “não vende lugares a passageiros, vende passageiros a destinos”, e é o destino que paga estes passageiros.  
 
Acerca da comunicação para os mercados, defende que a promoção deve ser feita com uma estratégia a longo prazo, com o foco não em receitas imediatas mas perduráveis, com direito a repetição de visita. É, assim, crucial não defraudar as expetativas dos visitantes e ter em atenção aquilo que é percecionado e aquilo que é a realidade. Acrescenta ainda a necessidade de um diálogo com os privados, que devem ser consultados nos processos de tomada de decisão da estratégia para o turismo dos Açores, antes de serem implementadas medidas.   
 
“Turismo de nichos versus Turismo de massas” 
 
Oscar Coduras, do Instituto de Formación Diretiva, em Barcelona, recordou que o turismo de massas e de consumo pode ter efeitos devastadores e irreversíveis para um destino, desde a artificialização e destruição da paisagem urbana e natural, passando pela criminalidade, até ao aumento excessivo de preços.  
 
Os Açores, devido às suas condições geográficas e climatéricas, têm a oportunidade de captar um turista seleto, apostando em nichos específicos e num turismo responsável, benéfico para residentes e turistas. Coduras apresenta uma nova tendência do tipo de turista emergente. Este é curioso, independente, impulsivo, aberto às questões da sustentabilidade, e utiliza muito a internet. O número de solteiros está a aumentar, bem como os casais que viajam e indivíduos que viajam sozinhos, com especial destaque para as mulheres.  Para os jovens, viajar é uma forma de aprender e conhecer novas culturas, sendo que a partilha destas experiências nas redes sociais tem assumido grande relevo, e a região tem que saber captar a curiosidade destes jovens.
 
Quanto à vocação turística dos Açores para acolher o turista, Oscar Coduras salienta que a população, que só recentemente começou a lidar com este aspeto, tem que ter uma melhor atitude perante quem nos visita e transmitir mais paixão e conhecimento pelo que é seu. Afirma que é mais importante saber acolher e estabelecer um contato emocional com o turista, do que a formação técnica profissional. 
 
Quanto à polémica das “low-cost”, não acredita que se possa esperar gastos expressivos de um turista que viaje neste tipo de companhia.  
 
“As utopias do Turismo Açoriano” 
 
A aposta certa é em segmentos de turistas “repetentes”, como é exemplo o golfe, o geoturismo ou a vulcanologia. Quem o diz é Francisco Silva, Professor na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril.
 
O desafio está em criar as condições ideais e possibilitar o maior conforto possível para as várias atividades que os Açores têm para oferecer, para além de que há que aproveitar melhor os recursos existentes. Urge a criação de infra-estruturas que sirvam o turismo de natureza, bem como o investimento nos trilhos pedestres que considera não passarem, neste momento, de “razoáveis”. 
Uma vez criadas essas condições, o turismo surgirá naturalmente e distinguindo-se dos restantes destinos que oferecem as mesmas práticas. Adianta a necessidade de se criar uma imagem de marca, distinta, pois os Açores não têm capacidade de competir a nível internacional enquanto multidestino. Para ser promovido como tal, seria interessante, por exemplo, criar um produto específico para cada ilha. 
 
Quanto ao modelo e gestão turística atual do destino, Francisco Silva considera que está num nível “médio” e que a região encontra-se num modelo de estagnação, sendo necessário refletir, de forma transparente, para o início de um novo ciclo, alinhado com o turismo responsável e menos dependente dos operadores. Para essa reflexão urge a necessidade de mais dados sobre o turismo, estudos de impacto (exemplo do impacto positivo e negativo dos cruzeiros em ilhas de pequena escala) e sobre o turista que se quer captar (do tipo alocêntrico e mesocêntrico). Acrescenta ainda que a hotelaria, para além de ter crescido mais do que a procura, não está adequada ao tipo de turista que se quer. 
 
“Gestão de empreendimentos turísticos - dificuldades e desafios”
 
Cláudia Faias, em representação do Grupo Ciprotur, iniciou a sua apresentação com uma breve caracterização da atual gestão nos hotéis dos Açores, com base em dados recolhidos pelo Observatório do Turismo dos Açores, onde se concluiu que cerca de 60% do tecido empresarial é constituído por empresas familiares e 77% pertencem a uma cadeia/grupo. A gestão da hotelaria tradicional é maioritariamente de segunda geração, sendo que a maioria dos estabelecimentos do turismo em espaço rural e turismo de habitação é de primeira geração. 
 
A hotelaria tradicional é a que mais tem sofrido quebras ao nível dos proveitos, para além da atual conjuntura que traz dificuldades preocupantes à atividade ao nível do aumento da carga fiscal que alimenta o ciclo de tesouraria negativo. 
 
Para combater a sazonalidade, Cláudias Faias reforça que a organização de eventos e a promoção de encontros de negócios (congressos) poderão ser um caminho a apostar nos meses de inverno. 
 
Há que contrariar a dependência dos mercados emissores tracionais e diversificar. Outra necessidade referida pela responsável hoteleira é a flexibilidade em disponibilizar tarifas dinâmicas nas épocas baixas e altas, e conforme o operador turístico. 
 
O retrato da “Sazonalidade” 
 
Rodrigo Rodrigues, da Estalagem São Sebastião, defende que a sazonalidade, consumidora de tempo e recursos, tem que ser assumida, mencionando que, nos últimos dois anos, a hotelaria açoriana tem visto o número de dormidas a decrescer cada vez mais, contando com poucos apoios quanto aos prejuízos advenientes desta situação. 
 
Afirmando que na região o turismo é trabalhado de forma amadora, com custos profissionais, Rodrigues ressalva que as responsabilidades não cabem exclusivamente ao poder público, mas também à iniciativa dos privados, sugerindo a realização de jornadas técnicas de trabalho, com vista à criação de medidas urgentes a implementar e à promoção da união dos players de vários sectores.
“Promoção dos Açores: estratégia e desafios 
 
Francisco Gil, da  Associação de Turismo dos Açores(ATA), salienta a importância de saber o que procura o cliente, argumentando que este, quando quer mesmo visitar determinado destino, as acessibilidades ficam para segundo lugar.
 
O executivo da ATA afirma a necessidade de promoção permanente e concentrada, sendo que o desafio é saber que canal é o mais adequado para chegar ao “target”, e comunicar de forma distinta para cada mercado.
 
A aposta de promoção dos Açores quer-se diferenciada e segmentada, pelo que tem sido feita quer em feiras generalistas, quer em feiras de especialidade focada num determinado produto turístico. O esforço tem sido feito para consolidar os mercados emissores tradicionais dos Açores (Portugal, Espanha, Reino Unido, Alemanha, Escandinávia, Áustria), mas também para apostar nos mercados emergentes, como o Brasil, Rússia, Polónia, se for identificada uma oportunidade económica efetiva.
 
 “Dificuldades da comercialização dos Açores” 
 
Tiago Raiano, do Grupo Soltropico, as acessibilidades necessitam ser repensadas, defendendo que os horários de todos os transportes devem ser melhorados e estabilizados, bem como os problemas existentes com perdas de bagagem, no caso dos transportes  aéreos, e com a falta de informação dos transportes públicos terrestres.
 
Tiago Raiano diz ser preciso ter a coragem política de não atender às reivindicações das ilhas, pois deve ser consolidado apenas um “hub” nos Açores e que este deve ser em São Miguel, criando assim um circuito interno entre as ilhas, argumentando que “são os outros destinos que são concorrentes dos Açores e não as ilhas entre si”. 
 
Raiano criticou aspetos como a falta de cultura turística existente, o desaproveitamento de recursos, a subsidiodependência e a falta de profissionalização no turismo. Mais acrescentou sobre o facto de haver demasiada intervenção política, nomeadamente, no setor da aviação. 
 
Tiago Raiano sustenta que a promoção dos Açores deve ser unificada, canalizando o aproveitamento de recursos, ao invés de esta estar dispersa por várias associações e ilhas.  
 
O encerramento da conferência foi feito por Paulo Simões, diretor do Açoriano Oriental, que conclui ser necessária uma ação governamental dos vários partidos, em que todos os agentes económicos envolvidos sejam mais inventivos e cooperativos.
 
O conceito de turista, acessibilidades, sazonalidade, mercados emergentes, consolidação do destino, segmentação, qualidade e profissionalização, foram pontos unânimes apontados em todas as intervenções, enquanto fragilidades a serem repensadas.
Fonte: Observatório do Turismo dos Açores,
http://www.observatorioturismoacores.com/noticia.php?id=2480




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