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Jazidas fósseis de Santa Maria contam história dos Açores “congelada” no tempo

Segunda-Feira, dia 30 de Junho de 2014

  Sobre a formação da jazida, os investigadores apontam uma hipótese. Santa Maria nasceu há sete ou oito milhões de anos e não teve actividade vulcânica durante um longo período, o que fez com que tivesse “desaparecido” debaixo de água devido à acção conjunta da erosão e das ondas. A Pedra-que-pica terá sido formada há cinco milhões de anos, a cerca de 50 metros de profundidade, após uma grande tempestade que fez acumular numa cova natural milhões de organismos marinhos, arrastados para aquele local pela força das ondas.Com o ressurgimento da actividade vulcânica, há dois milhões de anos, Santa Maria emergiu novamente (por isso se diz que foi ilha duas vezes) e elevou-se dos fundos oceânicos pelo menos 200 metros, e os cientistas acreditam que talvez ainda esteja a fazê-lo. Muitos daqueles animais – espécies de águas tropicais, equivalentes às que hoje banham Cabo Verde – fossilizaram, e a camada de fósseis foi “selada” por outra de partículas finas de sedimentos vulcânicos, alguns deles cobertos por escoadas lávicas submarinas, entretanto emersas.“O mais parecido com isto que já vi é o Havai. Mas no Atlântico a ilha de Santa Maria é única, é a primeira vez que vejo esta quantidade de fósseis neste ambiente”, observa o italiano Alessio Rovere, do Centro para as Ciências do Ambiente Marinho, da Alemanha.Durante a expedição, este especialista em geomorfologia costeira utilizou um GPS especial para encontrar marcas geológicas que indicam, com uma margem de erro de poucos centímetros, onde estaria o nível do mar há 120-130 mil anos nos Açores. Para já, tudo indica que estava quatro a seis metros acima do actual. “Mas, em alguns locais, há evidências de que esteve oito a dez metros acima do que está hoje”, nota Sérgio Ávila.A medição com GPS vai ajudar a perceber onde poderão chegar as águas se houver um aumento da temperatura semelhante ao que se registou naquela altura, explica o investigador, alertando para a necessidade de repensar investimentos nas zonas costeiras. “Têm sido feitos investimentos brutais em portos, marinas, já para não falar nas habitações em zonas costeiras. Já não será na nossa geração, mas se as águas subirem tantos metros quanto no último estádio interglacial, é provável que tudo fique coberto por água.”Enquanto uns medem o tamanho dos fósseis, outros fotografam, outros mergulham para ver as jazidas submersas, outros ainda recolhem pequenas amostras que serão depois analisadas em laboratório. É como diz o norte-americano Markes Johnson, especialista em geologia marinha: “Quando chegamos aqui pela primeira vez, temos que olhar para as diferentes relações, ver por que é que umas rochas são diferentes das outras, temos que juntar as peças como num puzzle e depois sair daqui com uma história.”

Fósseis vão ser produto turístico

Os resultados da investigação sobre os fósseis de Santa Maria não vão ficar na gaveta dos cientistas. “É preciso conhecimento científico, mas este só faz sentido se for divulgado e aproveitado do ponto de vista económico, de forma sustentável”, defende Sérgio Ávila.

O objectivo é promover a Rota dos Fósseis, que inclui quatro trilhos pedestres e um marítimo em toda a volta da ilha. “Santa Maria tem o único trilho marítimo homologado nos Açores”, sublinha o investigador. Este percurso consiste numa volta à ilha de barco, com desembarque (se o mar permitir) em algumas jazidas – Pedra-que-pica, Ponta do Castelo e São Lourenço –, com guias formados a bordo para descreverem e explicarem as particularidades daqueles locais.Segundo Sérgio Ávila, há já empresas interessadas nesta área, mas, por enquanto, o mergulho amador é a principal aposta dos operadores marítimo-turísticos. Santa Maria é cada vez mais procurada pelos mergulhadores interessados em ver jamantas, entre outras espécies pelágicas. No entanto, esta oferta pode ser complementar: “As empresas ainda não estão a aproveitar o facto de, no dia anterior à viagem de avião, os turistas não poderem mergulhar. O trilho marítimo pode ser feito nesse dia”, exemplifica Sérgio Ávila.

 

 

Fonte: Publico

http://www.publico.pt/local/noticia/jazidas-fosseis-de-santa-maria-contam-historia-dos-acores-congelada-no-tempo-1660732?page=2#/0

 

 

 




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