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Missão científica documenta pela primeira vez diversos ecossistemas marinhos nos Açores

Terça-Feira, dia 01 de Julho de 2014

Uma missão científica que envolveu investigadores das universidades dos Açores e do Algarve documentou pela primeira vez, nos últimos dias, diversos ecossistemas marinhos nos mares do arquipélago açoriano.

A missão integrou-se no "Projeto Baseline", da organização não governamental (ONG) Global Underwater Explorers, que pretende documentar ambientes marinhos e assim perceber a sua evolução e eventuais consequências da atividade humana.

O projeto gere iniciativas em 23 países e está neste momento a fazer uma "expedição global", com um barco que está a atravessar o Atlântico, desde a Florida, nos EUA, e que tem como destino o Mediterrâneo.

Um das escalas desta expedição foram os Açores, tendo o projeto contactado o Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores para organizar a expedição no arquipélago, seguindo o princípio de trabalhar com investigadores locais, de forma a potenciar a utilização científica das iniciativas.

Pedro Ribeiro, o coordenador da equipa científica do IMAR/DOP (Instituto do Mar do DOP da universidade açoriana) que levou a cabo a expedição nos Açores, explicou que a missão, através da utilização de submarinos, levou mergulhadores a profundidades de 200 metros, que são impossíveis de alcançar em mergulhos clássicos.

Ao todo, foram feitos 12 mergulhos com estes submarinos tripulados fornecidos pelo projeto Baseline.

Mas a missão contou também com mergulhadores técnicos, que usam meios que lhes permitem explorar profundidades até 90 metros e "passar lá tempo suficiente para fazer trabalho científico de exploração", explicou. Foram feitos oito mergulhos destes nos Açores.

Por fim, realizaram-se mais dez mergulhos com escafandro autónomo clássico, até aos 40 metros de profundidade.

Todas estas equipas se complementaram para fazer "documentação em vídeo", recolher exemplares de fauna local e fazer uma "avaliação preliminar" de habitats marinhos de "zonas emblemáticas" dos Açores ao largo da Terceira, do Pico e do Faial ou os ilhéus das Formigas.

"Conseguimos explorar áreas inacessíveis aos meios que temos presentemente e conseguimos documentar habitats de grande diversidade biológica muito próximos de nós, mas normalmente longe do olhar público", afirmou.

O investigador destacou que este projeto visa documentar habitats que já sofreram uma "influência acentuada" da atividade humana, mas também outros com pouco impacto ou mesmo intocados e, neste caso, "os Açores ainda apresentam essa possibilidade".

Pedro Ribeiro deu o exemplo de "uma parede enorme" de coral negro a sul da ilha do Pico, que os cientistas sabiam existir mas que nunca tinha sido documentada.

O investigador referiu ainda que, no caso das Formigas, os ecossistemas "parecem estar a recuperar" em termos de biodiversidade e de biomassa agregada desde que foi estabelecida a área marinha protegida dos ilhéus. No entanto, revelou que os mergulhadores encontraram "artes de pesca" na zona, não conseguindo ainda concluir se são recentes ou se foram levadas para ali pelas correntes.

A equipa do DOP vai agora avaliar tudo aquilo que foi recolhido e documentado, referindo Pedro Correia que se conseguiu "centenas de amostras biológicas" que serão agora usadas em diversos estudos.

A expedição global do projeto Baseline segue agora para a costa do Algarve, rumando depois ao Mediterrâneo.

Além de quatro cientistas do DOP, participaram nesta missão nos Açores dois investigadores da Universidade do Algarve, que se juntarão de novo ao projeto na exploração, a realizar na costa algarvia nos próximos dias.

 

Fonte: RTP-Noticias

 

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=749371&tm=8&layout=121&visual=49

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