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Campistas estrangeiros procuram parque “calmo e isolado” para férias em São Miguel

Quarta-Feira, dia 02 de Julho de 2014

Criada inicialmente para alojar surfistas estrangeiros que se deslocassem à região, a Quinta das Laranjeiras, em Rabo de Peixe, é hoje um destino para muitos turistas que vêem no campismo rural uma forma de passar férias. Isolado, calmo e no meio da natureza, o parque projectado por Renato Verdadeiro oferece um ambiente “acolhedor”  apreciado pelos campistas que por lá passam. “Os estrangeiros querem muito este tipo de oferta. A natureza atrai-os”, explica o proprietário do espaço, ao Diário dos Açores.

Localizada na zona das Areias, na vila de Rabo de Peixe, a Quinta das Laranjeiras é o único parque de campismo rural privado na ilha de São Miguel. O ambiente “simpático e acolhedor” faz o espaço marcar a diferença para quem deseja umas férias calmas, isoladas e perto da natureza.

A ideia para a criação do parque surgiu inicialmente para dar resposta à necessidade que tinham alguns surfistas estrangeiros. “Não havia um alojamento, relativamente barato e perto das praias, para os praticantes da modalidade que vinham a São Miguel”, disse o proprietário.

Renato Verdadeiro, engenheiro de profissão e amante do surf, viu no quintal da sua casa (na altura, uma pastagem com aproximadamente 5600 metros quadrados) uma oportunidade para dar esta resposta. “Tínhamos uma localização privilegiada, no meio de duas praias importantes para os surfistas - Areais, na Ribeira Grande, e Pópulo, em Ponta Delgada - e, a partir daí, criámos as condições para o parque de campismo”, explicou.

Renato Verdadeiro começou o projecto com a família em 2008, mas só em 2012, inaugurou-o oficialmente. Actualmente, tem as portas abertas não só para surfistas, mas para qualquer outro interessado no espaço.

No total, já passaram “algumas centenas” de campistas pela Quinta das Laranjeiras. Aberta 24 horas por dia e 365 dias por ano, é no Verão que o espaço regista um maior número de ocupantes. “Os meses de Junho, Julho e Agosto são os que têm mais clientela. Os outros registam campistas de modo muito esporádico”, sublinhou Renato Verdadeiro.

O dono do parque de campismo rural não fala ainda em “procura crescente”, uma vez que a quinta está aberta oficialmente apenas há dois anos. Antes disto, funcionava ilegalmente. 

“O primeiro ano foi o ano de arranque e só neste último ano é que passamos a integrar a lista de parques de campismo oficiais dos Açores, pelo que, a partir de agora, esperamos receber mais pessoas”, afirmou. No entanto, considerou 2013 um “bom ano”.

Os campistas que chegam à Quinta das Laranjeiras são na sua larga maioria estrangeiros. “Nós recebemos alemães, franceses, espanhóis e muitos checos. Fomos listados num blogue checo e, por isso, acabamos por receber muitos turistas da República Checa”, revelou.

De acordo com o dono do projecto, os parques de campismo que existem no mercado estão associados sempre a festas e aos fins-de-semana “para a brincadeira e para os copos”. “Mas o nosso parque é mais resguardado, mais calmo. A partir das 10 horas da noite, não há barulho. É uma zona mais para descanso e não para festas”, realçou. Os clientes que optam por passar férias na Quinta procuram, “regra geral”, um lugar de repouso e é o que encontram. “Os estrangeiros querem muito este tipo de oferta. A natureza atrai-os”. 

A principal preocupação do proprietário passa por “dar algo mais” do que aquilo que os outros parques de campismo da ilha têm a oferecer. “É tudo muito caseiro, o que desenvolvemos aqui. A minha mãe ajuda. A minha mulher também trabalha. Sou eu quem abre a porta ao cliente, quem recebe o cliente e quem explica as regras do espaço. Tentamos sempre criar um ambiente mais acolhedor e os turistas apreciam isso”, garantiu.

Apesar de situado num local resguardado de Rabo de Peixe, a quinta é fácil de localizar devido à sinalização encontrada na estrada. Ladeado de um muro de pedra, “totalmente fechado e isolado das imediações”, o espaço conta com um parque de estacionamento privativo, uma cozinha de apoio, casas de banho e seis ‘quartéis’, onde os campistas, “rodeados pelas laranjeiras”, ficam acomodados.

Os ‘quartéis’ são isolados uns dos outros por abrigos de incenso, para “garantir a privacidade” dos ocupantes. Cada uma destas zonas tem capacidade para cerca de cinco a seis tendas, numa área aproximada de 200 metros quadrados. No total, a quinta tem capacidade para 30 tendas e 90 pessoas.

Renato Verdadeiro apontou ainda a existência de acessibilidades para pessoas com mobilidade reduzida no parque, para além de acesso gratuito à Internet e a uma pequena biblioteca, que disponibliza vários livros, guias e mapas dos Açores aos campistas. Há também um campo de jogos no espaço. “A quarta-feira é o dia oficial para jogar futebol. Jogo com amigos e colegas de serviço e convidamos, claro, os turistas a juntarem-se a nós”, revelou. No final da quinta há também uma torre, “o mirante”, que proporciona uma vista sobre a paisagem da ilha, vendo-se ainda o mar, ao longe.

Cada noite passada na Quinta das Laranjeiras tem um custo de oito euros por pessoa, com todos os serviços incluídos. Apesar do baixo preço, Renato Verdadeiro alerta que o espaço não se trata de uma alternativa aos alojamentos mais caros. 

“As pessoas não vêm para cá porque não têm possibilidades financeiras para ir para um hotel, mas sim por opção. Porque querem o contacto com a natureza”, justifica.

 

Fonte: Diario dos Açores

http://diariodosacores.pt/index.php/sociedade/4466-campistas-estrangeiros-procuram-parque-calmo-e-isolado-para-ferias-em-sao-miguel

 




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