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Vamos mergulhar com tubarões e mantas nos Açores... lá para julho. E com novas regras

Sexta-Feira, dia 02 de Janeiro de 2015

O arquipélago português no meio do Atlântico tornou-se um destino de eleição para quem gosta de nadar com tubarões e jamantas em mar aberto. Novas regras entram em vigor até ao verão para "não matar a galinha dos ovos de ouro".

Um dos melhores locais para observar o tubarão-azul, o mais comum no Atlântico, é o monte submarino Condor. Esta área marinha protegida a cerca de oito milhas do Faial atrai mergulhadores que descem para as águas límpidas presos a um cabo, para não serem levados pelas correntes.

Nuno Sá, o fotógrafo que cedeu ao Expresso as imagens aqui publicadas, faz este mergulho várias vezes por ano desde 2010. "Na primeira vez, está-se sempre de pé atrás", recorda, "mas não há que ter medo, são animais que se aproximam sem agressividade". Contudo, acrescenta, "não nos podemos esquecer que são selvagens e não convém ter um peixe na mão, não vão eles confundi-lo...". Nuno Sá foi um dos primeiros fotógrafos a captar imagens destes tubarões azuis e a ganhar prémios internacionais pelas suas fotos. "Já mergulhei pelo mundo todo, da Austrália às Bahamas, e considero que os Açores podem vir a ser 'as Galápagos' do Atlântico".

No Mar dos Açores "encontramos uma limpidez que atrai mergulhadores experientes de todo o mundo, interessados na observação e conservação natural destas espécies", sublinha Bruno Sérgio, biólogo marinho e instrutor de mergulho em São Miguel.

 Nuno Sá As mantas são uma espécie sem dentes que se alimenta deslocando-se de boca aberta, filtrando os alimentos

Desta ilha até aos dois bancos submarinos - Formigas ou D. João de Castro - a viagem dura pelo menos duas horas. Depois descem para "contemplar" os tubarões ou as jamantas. Estas últimas "são dóceis e tranquilas", segundo o investigador da Universidade do Algarve, Jorge Fontes, mas os pescadores tinham muito medo delas pelo seu aspeto e chamavam-nas "raia do diabo". 

Já em relação à reação dos tubarões azuis, tudo "depende do comportamento dos mergulhadores". Por isso o biólogo - que já mergulhou rodeado de uma dúzia de tubarões e faz marcação de espécimes com transmissores para perceber quais os habitats escolhidos e as rotas migratórias - aconselha o cumprimento das regras de segurança. E garante que todos aqueles com que se cruzou "felizmente são amistosos" e nunca apanhou nenhum susto. 

Necessidade de regras

Estas duas espécies já colocaram os Açores na boca do mundo. E há cada vez mais turistas nacionais e estrangeiros a procurar o arquipélago para observá-las. Nos últimos anos, o crescimento destas atividades foi de tal modo significativo, que acentuou a necessidade de novas regras.  

"O Governo não  quer matar a galinha dos ovos de ouro", assegura o Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, Fausto Brito e Abreu. O responsável pela pasta açoriana do Mar defende que "interessa manter uma atividade sustentável para se garantir a qualidade do produto turístico". E acredita que o novo código de conduta "é um importante contributo, tendo em conta que salvaguarda o bem-estar destes animais e a manutenção do arquipélago dos Açores como um dos destinos mais sustentáveis do mundo". 

 Também Nuno Sá e Bruno Sérgio concordam com a existência deste código para "evitar conflitos" e "minimizar impactos ambientais". Este define, por exemplo, o número máximo de barcos que podem atracar num determinado ponto de observação, o limite de tempo em que ali podem ficar, o equipamento indispensável fornecido aos mergulhadores ou o tipo de engodo para atrair os animais.

As novas regras para disciplinar a atividade foram acordadas com investigadores e operadores turísticos durante o Fórum Conhecer o Mar dos Açores, que decorreu em Ponta Delgada, no início de dezembro. Paralelamente está em curso uma alteração ao Regulamento da Atividade Marítimo-Turística nos Açores (RAMTA), que ficará concluído no início do próximo ano, e que também irá incluir a atividade marítimo-turística de mergulho. O mesmo foi feito já há alguns anos para a observação de cetáceos como as baleias e os golfinhos. 

Seis mil mergulhadores por ano rendem €10 milhões

Só em 2013 o sector do ecoturismo marinho (que inclui mergulho com tubarões ou jamantas e observação de baleias e golfinhos) "teve um impacto socioeconómico de aproximadamente 64 milhões de euros" (incluindo as atividades, alojamento, alimentação, etc.), afirma Adriana Ressurreição. A investigadora que coordena um projecto "SciPol-ISeMars - Science and Policy Integration for a sustainable Marine Strategy", desenvolvido pelo Centro do IMAR da Universidade dos Açores, pretende quantificar o impacto socioeconómico do ecoturismo marinho no arquipélago dos Açores. 

Para já as contas indicam que cerca de 33 mil das pessoas que visitam os Açores procuram atividades de "wale watching", o que rende ao arquipélago cerca de €50 milhões. Já os seis mil mergulhadores que ali se deslocam para observar tubarões ou jamantas em mar aberto ou outras espécies mais costeiras, contribuem para receitas de perto de €10 milhões. 

Atualmente existem 15 operadores, com 55 barcos licenciados para observação de cetáceos, e 26 operadores que se dedicam ao mergulho. Das onze ilhas, só o Corvo não tem este tipo de empresas. Os melhores locais para mergulho com tubarão azul localizam-se no banco submarino Condor, ao largo do Pico e do Faial.  Já para observar a lenta dança das pacatas e curiosas Jamantas, destacam-se os bancos Princesa D. Alice, a 45 milhas do Pico, e a Baixa do Ambrósio, mais próximo da ilha de Santa Maria.  

A identificação das áreas do Mar dos Açores importantes para o desenvolvimento destas atividades turístico-marinhas é outro dos trabalhos desenvolvidos pela equipa de Adriana Ressurreição. A investigadora lembra que "só há condições para estas atividades três a cinco meses por ano, quando as águas estão mais quentes" e que "quem ali mergulha preocupa-se com os riscos da massificação da atividade". Porém, este não deverá ser um perigo pois "são atividades com forte sazonalidade o que por si controla o seu crescimento".

 

Fonte: Expresso.sapo.pt

http://expresso.sapo.pt/vamos-mergulhar-com-tubaroes-e-mantas-nos-acores-la-para-julho-e-com-novas-regras=f904454

 

 




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