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Vitorino Nemésio, Poeta da Açorianidade morreu há 30 anos

Quarta-Feira, dia 20 de Fevereiro de 2008

Vitorino Nemésio deixou uma reconhecida obra literária, onde consagrou o ser açoriano. Nemésio morreu há 30 anos.

Celebra-se, hoje, o 30º aniversário da morte de Vitorino Nemésio, escritor nascido na Praia da Vitória que deu aos Açores um lugar de destaque na Literatura Portuguesa do século XX.

Na Praia da Vitória e na Universidade dos Açores, em Ponta Delgada, a data é assinalada com diversas iniciativas.

Para a posterioridade, da sua vasta obra (mais de duas dezenas de livros de ficção, poesia, crónica, crítica e ensaio, além de imensos textos na imprensa) ressalta a sua qualidade como escritor e o seu contributo para a definição de "Açorianidade", o ser-se açoriano.

Criado em 1932, alma do ser-se açoriano emerge em toda a obra poética, romancista e cronista de Vitorino Nemésio.

Para o escritor o açoriano é "um português da segunda metade de Quatrocentos, introduzido nele os coeficientes de correcção que o viveiro insular elaborou", como escreveu no artigo "O açoriano e os Açores".

"Meio milénio de existência sobre tufos vulcânicos, por baixo de nuvens que são asas e de bicharocos que são nuvens, é já uma carga respeitável de Tempo - e o tempo é espírito em fieri (...)", escreveu.

"Como homens estamos soldados historicamente ao povo de onde viemos e enraizados pelo habitat a uns montes de lava que soltam da própria entranha uma substância que nos penetra. A geografia, para nós, vale outro tanto como a história (...)", fixou, resumindo em palavras o sentimento do povo que habita as ilhas perdidas no meio do Atlântico.

"A Açorianidade (de Nemésio) exprime mais que a simples caracterização tipológica do homem açoriano. Ela implica que se cria um elo com a terra, uma obrigação interior ditada por uma essência histórica assumida individualmente, uma "dívida" para com a terra que nos viu nascer", escreveu o açoriano António Machado Pires, seu assistente na universidade em Lisboa e uma das vozes mais credíveis no País sobre a obra nemesiana.

Influenciado pela "Hispanidad" de Unamuno, Vitorino Nemésio observou a terra, procurando no empirismo do quotidiano a alma do ilhéu.

Por isso, considerou o micaelense o mais trabalhador, o mais introvertido e talvez o mais rude nos tipos rurais, o terceirense bem menos trabalhador, mais festeiro e conveniente, com traços de certa manha rural, agrupando a ele os açorianos "das ilhas de baixo".

Nessa caracterização, o escritor destacou o picoense, chegando ao ponto de o considerar a "nata do insulano": os homens do mar, homens de palavra, dando conta da vida com frontalidade e brio".

Nos textos que escreveu sobre os Açores - pensados, sobretudo, para mostrar ao mundo, a sua terra natal - Nemésio fixou o torpor da negra lava, imagem constante no seu imaginário, feito de homens rijos, de honra, extraídos da solidão imposta pelo mar pela necessidade da sobrevivência.

A sua "Pátria Açoriana" acabou resgatada pelas narrativas autonomistas, consagrando-se como a substância teórica justificadora da diferenciação dos habitantes das ilhas.

Machado Pires, em declarações à Lusa, assegura que "Nemésio não foi um regionalista por querer ser" mas antes devido a "uma afectividade compulsiva e nunca por necessidade política".

Aliás, adianta, "ele era prudente na política, apesar de amigo de Marcelo Caetano (antigo primeiro-ministro da ditadura do Estado Novo), não se meteu pelo neo-realismo, era apenas um homem  simples que gostava de pensar".

Na sua opinião, foi Vitorino Nemésio "quem mais viveu dentro de si criativa, estética e literalmente os Açores, aquele que mais encarnou a alma açoriana.

Fonte: Diário Insular, 20 Fevereiro 2008

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