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Saltos para a água: As pioneiras dos Açores

Domingo, dia 19 de Julho de 2015

Oito mulheres saltaram dos penhascos do ilhéu de Vila Franca do Campo, nos Açores, para o mar. A estreia do sector feminino da mais arrojada competição de mergulho de grande altura coroou a norte-americana Cesilie Carlton, campeã mundial em título

A viagem dura escassos segundos e não permite apreciar a paisagem: quando se salta para o mar de uma altura superior a 20 metros, a principal preocupação deve ser o correcto posicionamento do corpo, para permitir uma boa entrada na água e evitar lesõesO grupo de 14 homens e oito mulheres que fez este tipo de mergulho de grande altura no ilhéu de Vila Franca do Campo, em São Miguel, nos Açores, preenche o tempo de voo com alguns mortais e piruetas – não é por acaso que pertencem à elite restrita de atletas que participa na Red Bull Cliff Diving World Series, a competição mais arrojada do género.

O circuito começou a ser disputado em 2009, e desde 2012 que os Açores têm lugar marcado no percurso. Na quarta visita ao arquipélago, a prova trouxe uma novidade: pela primeira vez, foi disputada no ilhéu uma etapa da competição feminina (que se iniciou em 2014). “Esta é capaz de ser uma das minhas localizações favoritas. Já tinha visto fotos, mas que não faziam justiça ao ilhéu. O vento, as ondas... é incrível. É o salto mais difícil, mas é para isto que treinamos. Não posso deixar que o vento ou as rochas me intimidem”, sublinhou aos jornalistas a campeã de 2014, Rachelle Simpson.

As mulheres saltaram de uma plataforma instalada a 20 metros de altura, enquanto os homens subiam até aos 27 metros antes de voarem para o oceano. Os dados da organização impõem respeito: os atletas atingem velocidades que podem chegar aos 90km/h (75km/h no caso delas) e o mínimo detalhe pode resultar num acidente grave. Para além das plataformas, houve também saltos feitos de diversos pontos do ilhéu, directamente das rochas. Tal como no Havai, onde tudo começou no século XVIII. “É como recuar às origens do cliff diving. Saltar directamente da rocha deixou-me um bocadinho nervosa, porque os pés estão desequilibrados. Mas, depois de saltar a primeira vez, a sensação é a mesma”, apontou Cesilie Carlton, primeira mulher a vencer nos Açores.

A atleta norte-americana, que em 2013 conquistou a medalha de ouro na primeira competição de saltos para a água a grande altura organizada pela FINA, prepara-se para defender o título nos Mundiais de Kazan, na Rússia, que começam no dia 24. “É bom poder conciliar as duas provas. Fazermos parte desta modalidade e mostrarmos que somos tão capazes quanto os homens é um sentimento incrível”, confessou Cesilie Carlton, levantando a ponta do véu sobre o segredo para enfrentar um penhasco e saltar dele para a água: “Tento não pensar demasiado sobre o salto antes de o fazer. O meu corpo sabe o que fazer. Limito-me a chegar à plataforma e reproduzir aquilo que tenho feito na preparação.”

 

Se a competição é um desafio, a preparação que a antecede não o é menos. “Não tenho um local com esta altura onde treinar, tenho de preparar-me numa piscina normal. Salto da prancha de dez metros, o que faço é dividir o meu salto ao meio: faço a primeira parte, volto a subir e faço o resto”, explicou Rachelle Simpson. Quando chega a hora de enfrentar as rochas, cada pormenor ajuda: “Tenho uma rotina: chego ao limite da plataforma, preparo-me, respiro fundo, conto até três e vou. Se começamos a questionar-nos isso afecta o salto. É melhor se estivermos relaxadas.”

 

“É difícil equilibrar a concentração e a adrenalina. Tento isolar-me, ponho os auscultadores e tento ficar sozinha. Falo comigo, tento concentrar-me. Se fico nervosa as coisas saem mal”, admitiu Adriana Jiménez Trejo, segunda classificada na competição açoriana. Aos 30 anos, a atleta mexicana leva uma vida dedicada aos mergulhos de grande altura: “Comecei nos saltos para a água quando tinha nove anos e pratiquei até aos 19. Depois comecei a trabalhar em espectáculos onde fazia saltos para a água. Fui experimentando outras coisas, plataformas mais altas, e nem dás conta quando estás a saltar de 20 metros.”

“Esta é uma das localizações mais difíceis, por causa dos rochedos e da ondulação. Elas têm saltado em locais que não são dos mais desafiantes, por isso estava curioso para ver como se portavam aqui. E elas deslumbraram”, apontou David Colturi, que disputa o circuito pelo quarto ano. “Já choveu, já fez vento... As ondas este ano não estiveram muito más, mas em anos anteriores a ondulação foi enorme. Isto pode ser um desafio duro, mas as raparigas portaram-se muito bem”, reiterou o atleta californiano. “Trocamos conselhos com elas e todos se ajudam uns aos outros. Somos como uma família. Viajamos juntos e, apesar de sermos concorrentes – porque isto é uma modalidade individual – partilhamos todas as emoções, desde o completo terror à mais absoluta euforia. Somos como irmãos e irmãs”, garantiu Colturi.

 

Fonte: publico

http://www.publico.pt/desporto/noticia/saltos-para-a-agua-as-pioneiras-dos-acores-1702458




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