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AÇORES NO MUNDO GEOPARKS Fazer turismo nos Açores em viagem guiada pela Geologia

Terça-Feira, dia 31 de Maio de 2011

Subir ao cimo da montanha do Pico, admirar a Rocha dos Bordões nas Flores, descer ao Algar do Carvão na Terceira e às fajãs de São Jorge, perder a vista nas lagoas de São Miguel ou contornar por barco o ilhéu de Vila Franca passarão a ter um novo léxico com a criação do Geoparparque Açores.

Assim, o vulcão poligenético picoense, a disjunção colunar florentina, o algar lávico terceirense, os deltas traquíticos e lávicos jorgenses, os abatimentos vulcânicos e os cones de tufos micaelenses ganham uma gramática que espera despertar interesse como nova estratégia turística.

Uma estratégia que quer explicar, dar a conhecer e experienciar, não só a formação geo-morfológica das ilhas, como toda a ocupação sócio-económica do território arquipelágico aos visitantes e aos locais.

O futuro GeoParque Açores, que passará a ser o terceiro do país e o único vulcânico da Europa, pretende articular o equilíbrio entre a protecção do meio natural com a exploração sustentada. Este é o princípio que a rede internacional (Geoparks European) e mundial (Global Geoparks Network) da UNESCO emanou ao aceitar a integração dos casos nacionais da Naturtejo Geopark (www.naturtejo.com) e, mais recentemente, do AroucaGeopark (www.geoparquearouca.com). Um clube ao qual pertencem 43 parques no espaço europeu, e que perfazem, em todo o planeta, 77, cuja revalidação criteriosa de estatuto acontece a cada quatro anos.

 

 O mundo geopark debatido nas Velas

Os pressupostos acima referenciados levaram a recém-criada Associação Geoparque Açores – GEOAÇORES e a Associação Regional de Turismo – ART a juntar, no âmbito das III Jornadas de Reflexão de Animação Turística, especialistas, responsáveis e operadores da realidade geopark portuguesa na Vila das Velas, em São Jorge, de 27 a 29 de Maio.

Um fim-de-semana prolongado onde foram apresentados objectivos, casos de sucesso, alertas, potencialidades, problemas e muitas ideias, já implementadas, projectadas e desejadas.

Entre eles, destaque para a importância destas estruturas para o desenvolvimento das comunidades mais rurais, para o turismo sustentável ser dado com a menor pegada ecológica possível, mas, se desejável, de forma recreativa, imaginativa, com aventura ou não, e que, em última análise, envolva, cative e traga ao destino Açores, de comparativamente elevado custo, o turista.

Desde o “geo-percurso pedestre”, à “geo-aventura de canoying” passando pelo “geo-cozido das furnas”, o universo de geo-produtos e geo-serviços a explorar e a interligar é imenso.

Na concertação de estratégias entre as estruturas do conhecimento geológico e as estruturas turísticas reside, agora, o sucesso do Geoparque Açores, sob pena de se comprar o slogan “faça férias num vulcão no meio do Atlântico” sem infra-estruturação e animação suficientes.

 

 MÁRIO CACHÃO DESAFIA Mergulhar às fontes hidrotermais é promoção mundial para as ilhas

O representante da ProGeo Portugal – Associação Europeia para a Conservação do Património Geológico, Mário Cahão, acredita que os Açores podem destacar-se mundialmente pela oferta turística de observação das recém-descobertas fontes hidrotermais, localizadas entre as ilhas do Faial e Flores – um dos 57 geosítios, este submarino, que integra o futuro Geoparque Açores.

O investigador do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa deixou o desafio no curso das III Jornadas de Reflexão de Animação Turística: “o desafio que se coloca aos Açores é fazer turismo às fontes hidrotermais, às últimas realidades científicas que vieram transformar completamente o entendimento que temos, não só de como funciona o planeta, mas como funcionam as comunidades biológicas”.

Mário Cachão não tem dúvidas que se trata, à partida, de “um aspecto diferenciador” e que, pode, em termos internacionais, ser um “exemplo de excelência” para o Geoparque Açores e para o turismo verde açoriano.

 

Parcerias e colaborações

Para fazer-se mergulho às fontes hidrotermais, que poderá ser tipificado como turismo radical, o especialista é peremptório ao referir que é preciso “criarem-se condições, através de parcerias e colaborações” para estruturar qualquer oferta deste género.

Uma “actividade única” que reconhece, apesar de estar destinada a um grupo reduzido e restrito, serviria de promoção exponencial para a região: “não se trata de um turismo de massas, para o público em geral, mas de um nicho de mercado que, à semelhança do que existe, noutras áreas, noutros países, aqui podia ser feito”.

Em última análise, a visitação às fontes hidrotermais teria “um impacto muito grande, seria exclusivo”, sustentou Mário Cachão que, em termos promocionais faz paralelismo com o turismo espacial: “apesar de inatingível para a maioria, fica no nosso imaginário, é uma referência”.

O responsável deixa este desafio às instituições científicas locais, à Universidade dos Açores em particular, através da aquisição de um navio oceanográfico que garantisse não só a investigação científica como a turística, retirando desta última actividade dividendos para a sustentabilidade financeira do projecto.

 Ao longo das suas intervenções, Mário Cachão enfatizou ainda que cada geoparque deve nascer de si mesmo: “os Açores não devem importar modelos exteriores. Devem ser únicos e diferenciados”. Neste contexto, refere, como aliás foi enfatizado por outros participantes no encontro, a necessidade de adaptar a linguagem da interpretação geológica à linguagem turística, algo “essencial” para o sucesso do “novo miúdo – o geólogo, a geologia” que chegou ao emergente geo-turismo.

Fonte: A União, 31-05-2011

http://www.auniao.com/noticias/ver.php?id=24071




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