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Adverte o biólogo João Pedro Barreiros MERGULHO COM TUBARÕES É UMA CAIXA DE PANDORA

Sexta-Feira, dia 16 de Dezembro de 2011

Embora coincidente com as operadoras de actividades marítimo-turísticas, o biólogo e investigador da Universidade dos Açores adverte as eventuais más consequências do mergulho com tubarões nos mares do arquipélago. João Pedro Barreiros manifesta-se contra a prática da nova aposta por considerar que a região está “abrir uma caixa de Pandora”, ou seja, não detém a experiência necessária para evitar possíveis tragédias em mar e em terra.
As suas palavras foram expressas na cerimónia de lançamento do seu livro Catálogo Ilustrado dos Tubarões Raias dos Açores, pela chancela do IAC.
A prática de mergulho com tubarões nos mares dos Açores poderá ter sérias consequências no mar e em terra. Este foi o principal alerta deixado pelo biólogo e investigador da Universidade dos Açores e do Grupo de Biodiversidade dos Açores – CITA-A, João Pedro Barreiros, durante a cerimónia de lançamento do seu mais recente livro Catálogo Ilustrado dos Tubarões Raias dos Açores, quarta-feira passada, no Observatório Regional em Angra do Heroísmo.
Em causa, explica, a região está “abrir uma caixa de Pandora”, isto é, as operadoras de actividades marítimo-turísticas locais estão pouco familiarizadas com a nova modalidade. O risco de tragédia adivinha-se então acrescido e, continua, sendo a região um destino de férias orientadas, por norma, para a prática de desporto e lazer na área, o problema contém duplas consequências.
“Percebo as intenções das operadoras de actividades marítimo-turísticas mas não está de acordo porque, caso surja um acidente com tubarões nos mares dos Açores, não só será trágico o ferimento e a eventual perda da vida humana como também o actual funcionamento do turismo subaquático”, adianta João Pedro Barreiros acrescentando que, na prática, o perigo reside sobretudo nos mergulhadores circundantes à zona onde está localizado o spot da operação turística.
“Os tubarões são atraídos com iscas para facilitar aproximação dos turistas. Contudo, terminado o mergulho, o tubarão poderá permanecer pelas redondezas e atacar quem lá se encontre no local e na hora errada”, precisa.
 
ESTUDOS “PORTA FORA” DA UNIVERSIDADE
 
Já sobre a obra agora disponível ao público em geral, especialmente direccionada para estudantes, investigadores e cientistas na área, o biólogo começou por justificar a ausência nos Açores de Otto Bismarck Gadiy, co-autor do livro, biólogo, professor, e doutorado em Zoologia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), São Paulo, Brasil, por questões profissionais.
João Pedro Barreiros revelou depois as motivações que o levaram a reunir os seus estudos e aprendizagens num só volume, que, a título de contexto, tiveram por base o antigo fascínio por predadores em especial tubarões, a sua longa actividade vivida no mar, e, ainda, o sentido e sentimento de missão do projecto em si.
“Trabalho em prol da região e da Universidade dos Açores e é importante que os estudos feitos possam sair das portas da instituição em partilha com a comunidade. A Universidade é também fonte de comunicação da ciência que produz”, considera.
Em suma, diz, espera que o Catálogo Ilustrado dos Tubarões Raias dos Açores “fique rapidamente desactualizado” salientando o facto de as teorias científicas estarem em constante evolução.
“Seria sinal de que estaríamos em permanente trabalho”, remata.
 
52 ESPÉCIES
 
A apresentação do Catálogo Ilustrado dos Tubarões Raias dos Açores, editado pelo Instituto Açoriano de Cultura (IAC) e com prefácio de Frederico Cardigos, biólogo marinho, actual direcção regional dos Assuntos do Mar, esteve a cargo de Oldemiro Rego, docente do Departamento de Ciências da Universidade dos Açores, que acompanhou o percurso profissional do autor do livro, considerou a obra do seu antigo aluno “uma importante mais valia” sublinhando a particularidade da “leitura mais acessível ao público em geral”.
“No seu final, o livro fornece-nos uma abrangente e ampla lista bibliográfica, que poderá trazer importante informação complementar, a todos os que se dedicam à investigação, neste domínio da ciência”, salienta. E continua: “A biodiversidade destas espécies e os seus extraordinários mecanismos de adaptação aos mais diversos nichos ecológicos, permitem-lhes uma distribuição oceânica à escala global, que vai dos mares tropicais até aos mares polares”.
Oldemiro Rego realçou ainda a capacidade de João Pedro Barreiros para o desenho – ilustração científica –, referindo que “cada espécie é ilustrada por um magnífico desenho científico (num total de 52), que facilita muito a compreensão das características morfológicas descritas no texto”.
Por seu turno, o presidente do IAC, Paulo Raimundo, fez saber que a temática é novidade entre o historial de edições do instituto e que, pela primeira vez, conheceu o interior do edifício do Observatório Regional dos Açores.

“É importante para o IAC abrir portas e vir a terreiro”, concluiu.

Fonte: A União,

http://www.auniao.com/noticias/ver.php?id=26359




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